Caim & Abel
29.12.03
 
O sonho de Caím - parte I
No outro dia, Caím descaiu-se.
Veio-me com falinhas mansas, como quem não quer a coisa, apalpando terreno, a sondar. Não sei se estão a ver.
- O mano está a ver... É só para ir pensando no assunto, não é para já... longe de mim querer... – e por aí adiante.
Mas eu manjei-o ao longe, vi logo aonde ele queria chegar, cheirou-me logo ao que vinha.
- Mas diga lá, mano, o que pretende realmente – instei eu.
- Bem, eu pensei – mas é só uma sugestão! –, pensei que talvez não fosse má ideia, enfim, talvez fosse uma boa ideia se... como hei-de dizer?
- Vá, maninho, diga – insisti.
- Bom, eu acho que o nosso blogue deveria ter um enfoque mais directo na realidade, está a entender?, deveria debruçar-se mais sobre os acontecimentos que marcam o dia-a-dia, assim uma espécie de comentários sobre assuntos candentes, tipo Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes... Ou se preferir, maninho, tipo Manuel Maria Carrilho ou... mesmo... Od... Ode... Odete Santos... Está a entender, mano?
- Ah, não sei, não sei – respondi-lhe eu.
- Mas promete que vai pensar no assunto, mano? – perguntou-me ele com ansiedade na voz.
- Vamos ver – disse-lhe eu -, vamos ver. Tipo Odete Santos, não é?
- Sim, porque não? – respondeu-me ele, aflito.
- Vamos ver – e virei-lhe as costas, a pensar comigo mesmo “Então, ele é isso! Sim, senhor...”

 
Ciníssimo
O cinismo de Caím não tem fim.
Primeiro, quer dar a entender que não é ele o responsável pelas linhas que aqui escreve, como se houvesse um outro, que não ele, que escrevesse com o seu nome. Encara-te ao espelho, velho pulha. Assume as tuas responsabilidades. Tu és Caím, aquele que matou Abel. O mesmo que escreve posts atrás de posts sem o mínimo de interesse, de talento, de graça. Se está alguém por detrás de ti é o capeta, de resto o único capaz de aguentar os gazes enxofrados e nauseabundos que tu soltas constantemente.
E desejar Feliz Natal, e logo com maiúsculas, grande cínico? Tu que mataste o predilecto de Adão, tu que oferecias a Eva sandálias de pele de serpente no Dia da Mãe, tu que me fizeste acreditar, ano após ano, que o Pai Natal não existe, tu que não tens um pingo de espírito familiar, és tu quem vem desejar Feliz Natal às pessoas?
Eu, príncipe da botânica e dos hortos, que lido com plantas de manhã à noite, que trato por tu as espécies, imperador dos jogos florais e consultor para as zonas ajardinadas da C.M. de Lisboa, e desgraçadamente teu irmão, tenho que confessar que nunca na minha longa vida vi uma tal erva daninha.
Os teus votos de Feliz Natal só podem ser votos falsos. Ou envenenados.

24.12.03
 
Só mesmo neste dia.
Os homens que estão por detrás do dois irmãos (o florista adora esta frase) desejam a todos os seus inúmeros leitores um Feliz Natal.
22.12.03
 
Voz de burro
Não é verdade tanta loja de perfume. Não é verdade tanta rosa decepada. Não é verdade tanta pomba assassinada.
Se meu pobre irmão tivesse, em pequenino, ouvido mais Simone de Oliveira e menos marchas militares de Herr Wolfgang Leibniz e Helmmut Krugger não seria hoje o escroque fascista que é.
Não sendo jovem – que não é -, Caím tem o mesmo tipo de ignorância e leviandade próprias da juventude. Pensa que Mussolini é um concorrente da Alsa e Spandau faz-lhe vagamente lembrar um grupo neo-romântico da década de 80.
O meu único consolo é que os paizinhos desconhecem os caminhos ínvios que Caím tomou. Até porque vozes de burro não chegam ao céu.

 
Lave a boca para falar delas
Tenho reparado que Caím gosta de se referir de forma irónica e acintosa a senhoras como Odete Santos e Ana Gomes. É sintomático do seu machismo primário de direita. Pois eu acredito na política no feminino, seu merdas fascista. Tirando o Paulo Portas, claro.
 
Menos que cacto
Caím deve pensar que eu tenho a vida dele. Mas não tenho. Tenho andado numa roda viva. Aliás, não percebo como ele tem tempo para pensar em blogues e outras minudências com tanta coisa ruim a acontecer pelo mundo. Só mesmo um ser desalmado e alarve como ele. Um cacto revela mais sensibilidade do que ele, asseguro-vos eu, que conheço cactos e conheço Caím.
 
Mussolini, nº1 no meu Top.
É claro que gosto de Mussolini. Sempre admirei o seu swing e o seu jogo de anca. Nem todos possuem aquele talento especial de fazer solos para milhares de pessoas, e ao vivo, impondo sempre o seu compasso, mesmo quando os outros estão descompassados, perdidos no tempo. E o gosto pela família, sempre presente na sua arte, até no nascimento dos filhos.
Eu, Caim, gosto de Mussolini. E vocês também, maricôncios de esquerda. Não acreditam? Então vão aqui e escutem bem o nº3 da lista.

18.12.03
 
Teoria da constipação nº1
Enquanto o florista não aparece, aqui vai a seguinte reflexão:
Já repararam que a voz do Ronaldo (o do Real) e a do Paulo Coelho são exactamente iguais? É verdade, sim senhor. Dois dos mais importantes produtos de exportação brasileiros têm exactamente o mesmo registo de voz. O mesmo sotaque, afinação, o mesmo tom arrastado e meloso.
Partindo do princípio que um é “Mágico” e o outro “Alquimista”, há aqui macumba de certeza.
 
Há 3 dias que não abre a boca.
Esta ausência aqui do fratello põe-me nervoso. Já dizem os manuais: “Keep your enemy in sight". E devo confessar que não tenho a mínima ideia por onde ele pára.
Quando ele era novo, era fácil encontrá-lo. Ou estava dentro do armário a ler André Gide, Gore Vidal ou Truman Capote, o seu favorito, ou estava na sala a ver o “Spartacus,” com o Kirk Douglas. Aos sábados, renda de bilros, e aos domingos, passava o dia a jogar ao “quente e frio”, nu, em casa dos amigos.
Mas agora, tendo em conta que em S. Francisco está demasiado frio para desfiles, que o bloco de esquerda não organiza festas no Natal e que nos últimos três dias não houve nenhuma conferência com a Ana Gomes, estou perfeitamente perdido.
Deve andar a pintar “Graffitis” no Metro.
15.12.03
 
Isto só a mim...
Porque raio é que eu me lembrei de marcar férias para Dezembro!!!
Dois anos a preparar a invasão: os inspectores, os mandatos, as transmissões por satélite, a comida embalada pela empresa do Donald, o baralho de cartas, a cimeira dos Açores, a de Belfast, o Carlos Fino em directo, os videos da Al jazira. Fui eu, pessoalmente, ao Chapitô buscar o ministro iraquiano da informação, limpei os xiitas de Bassorá, pus a Síria no eixo do mal e agora …agora… os anormais prendem-me o macaco!!!!
O que é que eu vou dizer quando me voltarem a perguntar pelas armas de destruição maciça???? Que o gajo está com amnésia???…Que as lêndeas lhe entraram pelos ouvidos e ele ficou surdo???
 
Se Abel fosse mulher...era Catarina
Abel foi com a sua amicíssima Catarina assistir a uma reprise do mítico “Aconteceu no Oeste.”
Quando Jason Robards diz para Claudia Cardinale: “… se tu soubesse como fazes um homem feliz só de olhar para ti…” (tradução livre), Catarina comenta para Abel, baixinho: "- É deliciosa esta frase do Sérgio (Leone). Nenhum outro conseguiria descrever a essência da mulher desta forma simples e encantadoramente sublime. Os nossos desejos, seduções, ânsias. A eterna trilogia que proclama a nossa incontornável condição de mulher-amante-fêmea. Que momento extraordinário de cinema”.
À saída do “Nun’Álvares,” cruzam-se com Ilídio, empregado fabril em Ovar. Este, virando-se para Catarina, diz-lhe entredentes: “ò filha, se tu soubesses como eu fico feliz só de olhar para ti…”
Catarina dá um salto e grita em voz alta: “- Tu viste isto, Abel!!! …aquele parvalhão queria violar-me por trás, o estúpido…”.

 
We get him
Este deve ter sido um fim-de-semana feliz para Caím. Aliás, não me espantava nada que a captura de Saddam tivesse por trás o dedo delator do meu desprezível mano. Como não podia deixar de ser, lá estava ele ao lado do neo imperialista Bush, na conferência de imprensa em Washington, e dos seus caciques europeus, em Londres, Espanha e Lisboa. Sim, ainda por cima o desgraçado tem o dom da ubiquidade. Mas que espectáculo triste!
Ao ver o pobre Saddam naquele estado lastimoso não pude deixar de pensar num outro mártir da democracia, o nosso José Castelo Branco. Agora percebo como um pouco de gel e um elástico para prender o cabelo podem fazer toda a diferença no momento de aparecer em frente às cámaras de televisão depois de uma noite mal dormida no cativeiro.

12.12.03
 
Compêndio vivo de traumatologia
Vocês não o conhecem, mas se o conhecessem...
Se o conhecessem, vocês perceberiam porque Caím é o pobre infeliz que as suas míseras linhas deixam transparecer.
Sabem aquele trauma da irmã feia que é constantemente comparada com a mana top-model? Caím tem.
Sabem aquele trauma do rapaz repetente compulsivo que não consegue tirar melhores notas que o irmão, nem às custas de doses cavalares de explicações e sofisticados esquemas de copianço? Caím tem.
Sabem aquele trauma do homem de meia idade que ao estacionar o seu NSU bordeau de 72 olha para a garagem do seu vizinho e vê lá o Porsche Carrera GT (exacto, esse mesmo, o de motor V10, 5733 c.c., 40V)? Caím tem (o trauma e o NSU).
Sabem aquele trauma das crianças que fazem anos em Dezembro, muito próximo do Natal, e que por causa disso recebem uns presentes decepcionantes numa das datas? Caím tem.
Sabem aquele trauma do filho que não suporta os ciúmes do pai ao ponto de matar o próprio irmão? Lamento dizer, mas Caím tem.


11.12.03
 
Meu nome é Bel. Abel.
Em 84, o mercado das flores estava em baixo. Abel, aproveitando as novas amizades do bloco central, pediu a Paulo Valada um lugar no Bolhão para instalar uma banca de frutas e legumes. “Quando há crise, há sopa,” pensou ele. Mas as coisas não correram bem. Para quem, como ele, sempre teve uma imaginação prodigiosa, passar o dia a mexer em nabos, grelos, tomates espanhóis e cenoura sem rama, tirava-o do sério.
Um dia, um brasileiro que estava em liberdade condicional abeirou-se da banca dos verdes e perguntou-lhe: “Tem couve-flor?
Abel estremeceu e respondeu-lhe baixinho, numa voz trémula e abafada: “Couve?… tenho, mas podes-me tratar por Abel.”
Depois de 15 dias engessado, Abel decidiu voltar às origens.


 
O nome dele é Verbeke, Natália Verbeke
Descobri o que há dentro da mala de Natália Verbeke. São os documentos de identificação de Caím. Natália Verbeke é o nome de guerra que ele utiliza em certas alamedas ajardinadas de Lisboa e Porto, em bares ribeirinhos da Antuérpia, nas montras de Amsterdão, no bas-fond de Badajós, em círculos da alta roda de Newark.
Para além do B.I., Natália Verbeke tem ainda na sua mala:
a) pensinhos diários da Ausónia (Caím não tem consideração por quem lhe dá o dinheiro a ganhar),
b) pensos para grandes fluxos (Caím continua a deixar atrás de si um rasto de sangue),
pensões (moradas e números de telefone para os seus servicinhos).

10.12.03
 
Postas de faneca.
"Abre o olho … morcão!"
Na infância de Abel, eram estes os conselhos dos seus amigos de escola. Hoje, os seus amigos dizem exactamente mesmo. Foi por isso que Abel escolheu ser florista. Ele é esperto e, claro, tem bom olho para o negócio.
Agora, o que me surpreende é constatar que Abel também tem jeito para o teatro de revista, a ver pela intensidade dramática e literária dos seus últimos posts. Devem ser influências da camarada Odete.



 
germanices
Caím tem boa memória. Mais uma vez, os anos setenta foram marcantes para ele – provavelmente, ainda hoje terá as marcas. Adivinhem com quem Greta desenvolveu tais experimentações do Strap-on...
Fica assim também explicado o fascínio quase infantil que o meu irmão sempre nutriu pela família Von Trapp. Era visita dos Strap.

 
um apêndice...
Sobre Greta não se disse tudo. Ela era estudante de engenharia de polímeros e plásticos. Mais tarde, em meados de setenta, ficaria famosa (depois de vários anos de estudo e experimentação) por ter inventado uma cinta terapêutica de penetração rectal. Greta Strap era de boas famílias da Renânia Ocidental. E quando registou o seu invento, não se esqueceu do nome do pai. Estava criado o “Strap-on “.


 
Ciência
O menino cale-se.
Só eu sei o que aprendi sobre a reprodução vegetal (e até alguma animal) nos densos sovacos de Greta.
Por isso, o menino não fale de uma ciência que desconhece por completo.

 
Sebentis 2
Mesmo assim continuava atento às aventura do meu “co-lateral”.
E se 68 é quase, quase, quase o seu número preferido, foi esse sem dúvida o seu ano mais importante. Estava em Paris IV, a fazer uma Pós-graduação em Sistemas de reprodução das hortênsias. Conheceu o Sartre, a Simone, a Marguerite, o Malraux e até o Saint-Laurent. Mas nada disso lhe dizia muito. Até que finalmente alguém lhe apresentou IGOR, o Trazan das estepes. Um artista circense bielorusso que fazia carreira em Paris e, claro, era um infiltrado do KGB. Aí sim a vida de Abel mudou. Abriu-se para o amor e para o partido, inscrevendo-se de imediato no PC Francês (é ainda hoje o único militante com as quotas em dia).
Mas a nomenclatura do partido não perdoa o amor grego. Foi então que simulou uma relação matrimonial com Greta, uma alemã líder duma célula regional dos “Bader-Mainhoff,” que até tinha sovacos peludos e, claro, adorava banhos turcos com moças.
Abel salvou a imagem, mas perdeu a confiança dos camaradas portugueses, os únicos que não reconhecem esse desvios. Só voltariam a trabalhar juntos, mais tarde, no tal dia 25.


 
Sebentis 1
Sim. Os 70 foram anos mais calmos. Diria que foram anos de reflexão, essenciais para este meu retorno. Mesmo assim, ainda houve algum trabalho. Lembro-me, por exemplo, de andar aos pulos pela América latina a gerir a Operação Condor. E não foi fácil. Ter que cumprir as quotas estabelecidas pelo Kissinger não é para qualquer um. É preciso estofo. Hoje no Chile, amanhã na Argentina. No meio a Bolívia, o Peru, S. Salvador, a Nicarágua, enfim tudo mercados emergentes, mas onde encontrar esquerdistas no meio da populaça era tarefa quase impossível. Eu ainda me lembrei duma estrela tatuada na testa. Mas logo nos primeiros dias vieram os trotskistas queixarem-se que a estrela era a maoísta, estes que ela era a dos anteriores, os estalinistas que faltava a foice, os leninistas que o pantone do vermelho estava errado, os anarquistas que não se viam representados. A confusão do costume.
Por isso, decidi enfiá-los todos num estádio.


9.12.03
 
Posta restante
...até que Caím descobriu que Senhorita de M. militava (secretamente, claro está) numa organização de resistência anti-fascista sem fins lucrativos cujo Grande Objectivo consistia em acabar com a ditadura em Portugal. E é chegado a este ponto que a história de Caím se intersecciona uma vez mais com a minha própria história, pois não posso deixar de destacar o meu papel fundamental na Revolução dos Cravos como sponsor oficial. Mas voltando a Caím.
Não foi tanto o segredo de Senhorita de M. que o enfureceu, nem o facto de ela andar a conviver com comunistas, nem tão pouco ela participar no plano para derrotar o fascismo. O que ele não lhe perdoou foi ela estar metida numa organização sem fins lucrativos. Isso sim, foi demais para ele. Completamente fora de si, dirigiu-se à aldeia onde Senhorita de M. vivia, Baleizão, e a coberto de um chaparro desferiu cobardemente três tiros certeiros sobre a moça. Ela escapou ilesa, porque nessa altura estava abaixada, mas o mesmo destino não teve C. Eufemia, sua prima afastada que nem tinha nada a ver com o assunto e que estava ali por acaso.
Desde aí, Caím voltou ao que era. Sem pingo de humanidade nem decência, ele uiva a sua frustração, o seu fel e a sua impotência aos quatro ventos e, esporádica e mal-amanhadamente, neste blog.

 
Posta 3
...numa noite de fim verão, algures entre Woodstock e Vilar de Mouros e, se não estou em erro, numa festa de rentrée da Assembleia Nacional, o recordista Caím lograsse introduzir o seu parco membro no que, à época, lhe pareceu ser a zona íntima de uma desconhecida. Pois bem, nem a zona era íntima nem a sua dona era desconhecida. Caím acabara de desflorar o olho bom de Senhorita de M., menina sobejamente conhecida e acarinhada pela população residente de Custóias, Caxias e, mais amiúde, Tarrafal, que nas suas horas livres (as que passava fora das prisões) ajudava na J.O.C.
O romance floresceu e Caím, por nano-momentos na sua malvada existência milenar, roçou a experiência de ser uma pessoa quase decente. Até que...

 
Posta 2
A época em que o desgraçado Caím foi mais feliz foi, indiscutivelmente, a década de 70. O sexo livre e desenfreado foi, para ele, a grande revelação. E a explicação é simples. Caím detém no Guiness Book (p. 37635) o record de “virgem por mais tempo”. Não por vontade dele, como é óbvio, mas porque ninguém – ser vivo ou morto, homem ou mulher, animal ou vegetal, pedras, plásticos, em suma, ninguém mesmo – esteve disposto a fazê-lo com ele. E só mesmo a loucura desabrida dos anos 70, com alcóol e drogas à fartazana e uma absoluta ausência de critério, senso e lucidez permitiu que, numa noite...
 
Posta 1
Filho que rapidamente se veio a constatar indesejado, Caím virou-se desde cedo para amizades estranhas e perigosas. Privou com todos os ditadores rascas e torcionários primários que a civilização, como um pus, foi excretando ao longo dos tempos. Quando estes começaram a rarear (não por se extinguirem mas por se disfarçarem e misturarem com a multidão), passou a militar nos partidos de direita. Pela evidenciada falta de inteligência, era sempre chamado a fazer os trabalhos sujos, o que não lhe custava nada porque manchadas de crime já as suas mãos estavam.
 
A verdadeira história de Caím às postas
Que o mano parou no tempo, não é novidade. Aliás, o mano parou no preciso momento em que, desafortunadamente para os paizinhos, nasceu. Isso explica parte da História. Agora, que o mano tenha parado em plenos anos 70, isso explica parte da história. E a história do recalcado Caím conta-se em meia dúzia de posts.
 
É melhor 1 Valium
Isto de ter um amigo ministro causa muita inveja…
Mudando (um pouquinho) de assunto, parece que “mon petit frère” teve um fim de semana explosivo. Romy, Brigite, Castel-Branco. Deve ter estado na festa comemorativa dos 15 anos dos “Village People.” Todos os amiguinhos a cantar em refrão a parte final do “In the Navy”: “who?…me?….but….but….but…(rewind)...but...but...but...I can’t swim!!!”.
Ou então, a apontarem uns para os outros numa coreografia Disco: ”we want you… …we want you, as a new recruit!!!”.
Enfim, o Lorenim não resultou.

 
parêntisis
(Com que então visitas regulares de um amigo com habitação no Forte de S. Julião da Barra... Muito bem. E eu que pensava que ter amigos com nomes como Brigite Marguerette e Romy Scarlate poderia ser um pouquinho comprometedor. Numa coisa eu sou obrigado a tirar o chapéu ao mano: ele não pára de me surpreender.)
5.12.03
 
1 Lorenim, por favor
Quem é que andou a dizer à Carla Bruni que eu ainda a amava?
Deve ter sido aqui o maninho, que quando era mais novo passava a vida a escutar os meus telefonemas para França, escondido dentro do armário. Aliás, como devem ter percebido pelo estilo “gata escaldada” do seu último post, ele ainda não saiu do armário.
Eu sei, maninho. É tudo derivado do sistema nervoso. Eu compreendo-te. E até te desculpo todas aquelas balelas sobre profissões, orientações sexuais e despesas de deslocações.
Agora, meu caro, vir dizer que este blog só tem um leitor??? Isso, eu não te perdoo, nem que os médicos atestem que tu sofres de “ciclo menstrual psicológico”.
Este blog tem pelo menos dois leitores assíduos: uma ex-namorada a quem eu fiquei com os discos e o cobrador de fraque.
Se contarmos com um amigo meu que mora no Forte de S. Julião da Barra e vem cá de vez em quando, já são três.


 
very typical (parte I)
É típico da direita.
Primeiro. É típico da direita pensar sempre que tem uma plateia, uma audiência, um público disposto a aturar as suas baboseiras. No caso presente, tem o devaneio que existe uma identidade abstracta (e numerosa, conhecendo as suas tendências megalómanas) a que chama pomposamente “nossos leitores”. Uh-uh, maninho, acorda! Eu sou o único que ainda te aturo ou, se preferires, que te leio.
Segundo. É típico da direita virar-se, à falta de argumentos, para a orientação sexual das pessoas com o intuito de agredir. Ou/e então para as suas profissões (que ele, desocupado crónico de muito longa duração, considera sempre inferiores).
Terceiro. É típico da direita denunciar-se com as suas próprias palavras. Vejamos: 312 km até aos tais bares. Quanto rigor, quanta precisão, só faltou dizer o nome da rua e o número da porta. Diria que o mano tem apresentado à entidade patronal muitas notas de despesa de deslocações com essa quilometragem.

4.12.03
 
São rosas, senhores
Peço desculpa aos nossos leitores pelo actual estado de excitação sexual em que o meu irmão se encontra. Mas compreendam que viver em Portugal com a sua condição rosa é difícil. Não só os seus bares favoritos se situam a 312 km, como a legislação sobre cônjuges do mesmo sexo teima em não avançar. Mas não é só isso.
Abel viu “Matrix Reloaded” e “Matrix Revolutions” duma só vez. Abel viu Keanu Reeves, que já aproveitou a legislação específica, e Hugo Weaving, o travesti australiano do filme “Priscilla, Rainha do deserto”, em permanente contacto físico. Abel transpirou. Abel gostava dum final do género – “Mr. Anderson….do you care to dance?” Abel corou. Abel chorou. Abel é florista.

 
Já teve sorte em acordar
Com a idade que tem e o estado de decomposição que apresenta, o travesseiro do maninho só pode estar manchado de baba e aguadilha verde. E também não admira que ela o olhe como para o Tristão. A visão do meu mano em nu deve ser mesmo uma figura superlativamente triste.
 
Parabéns
É bom saber que o meu maninho investiu num dicionário de sinónimos, talvez o da Porto Editora. Afinal, a cultura ao povo pertence. E é pois com agrado que vejo que os seus floreados não terminam na papoila tailandesa (que costuma inalar) nem no miosótis. Também se aplicam à mais pura e nobre tradição do trocadilho português.
Por tudo isso, os meus mais sinceros… parabéns.



 
Acordei bem disposto
… nesse mesmo travesseiro de seda, agora manchado de deleite. Vê-la assim dormitar era para mim uma novidade. Respirava num compasso ternário, resquício dos gemidos anteriores. Eu aproximei-me da orelha languidamente e sussurrei-lhe a pergunta fatal:
- “Karen… …prometes-me que voltas a desfilar para a Victoria’s Secrets já na colecção de 2004?” Olhando-me como uma Isolda olha para o seu Tristão, a menina Moulder respondeu-me:- “ Caim… deixa-me dormir que estou exausta”.


 
Aviso
É impressionante verificar como para uns o avançar dos anos (no meu caso, o avançar da imortalidade) é directamente proporcional ao aumento de sabedoria, enobrecimento de alma, ponderação e criatividade e de todas as qualidades humanas em geral... e para outros mais não é do que sinónimo de ainda mais estultícia, ignorância, insensatez.
Por uma vez, vou deixar-me de floreados: o meu irmão Caím é um néscio fascista. Não lhe liguem.

3.12.03
 
3 de quê?
As desavenças podem ser milenares. As hostilidades podem estar cavadas nos mais profundos fossos da alma. A perfídia pode minar mais mortalmente que uma granada descavilhada. O fraticídio pode ser o mais ignóbil dos crimes porque é, antes de mais, uma ofensa ao Pai. A inveja pode ser a mais fascista manifestação de maldade. A soberba, de tão perpetuamente insatisfeita, pode consumir este mundo e o outro e ainda ganir com fome. Pode. Tudo isto pode, de facto, ser verdade. Mas ninguém me obriga a dar-lhe os parabéns. Não dou, não dou e não dou.
 
(dois pigarros)
Só os muitos anos passados por meu irmão entre rapazinhos e homens fardados podem justificar qualificativos como “prazenteiro penetrante” referindo-se a outro homem. E eu que ainda alimento alguns complexos de esquerda mariqueta só porque vendo flores...
 
3 de Dezembro
Faz hoje anos que nasceu um homem brilhante, genial, charmoso, desinibido, inteligente, sedutor, talentoso, mulherengo, patriota, limpinho e perfumado, quente e vigoroso, jovial e prazenteiro penetrante, ardente, requintado, fértil, engenhoso, fidalgo, valente, versado e … imortal.
Faz hoje anos que nasceu D. Duarte Pio, Duque de Bragança.



 
Papoila sou
Um nome não trai / Caim é traição / E Adão é pai /
Um nome faz parte / Ermelinda-gaivota / Companheira-Duarte.


Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

 
Sábados, às 5h.
- Tony!!! Tony!!!…despacha-te que vem aí a carreira!
Como era bonito e musical o Portugal de antigamente. Onde as gentes do campo conviviam alegremente com os senhores da cidade, recebendo o melhor dos seus ensinamentos, dos seus conselhos e das suas roupas usadas. Atrevo-me a dizer que, de todas as épocas que a minha imortalidade me obrigou a passar, os 48 anos do António e do Marcelo foram os mais lindos. Ele era a farda da mocidade, o S. Carlos com a Callas e o Guiseppe Di Stefano, a música do Ruy Coelho, as sessões de esclarecimento da União Nacional ao som da música do Ruy Coelho, o relato da águia na emissora nacional, os domingos do jardim zoológico e dos desfiles do jamor, as histórias de África (mas só aquelas com leões, elefantes e o Gungunhana), a cartilha, o zip-zip, a criada com sotaque traçado, as espanholas dos casinos, enfim, um país de requinte e bom gosto, que mais tarde se veria traído nas mãos daquela malfadada personagem do Sheakspeare.
Desses tempos maravilhosos, já só resta o Joselito, o pequeno rouxinol, na TVE aos sábados de tarde.


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